sexta-feira, 11 de março de 2011

Via Sacra - Programação da Paróquia São Pedro e São Paulo

Serão todas as Sexta-feiras do Tempo Quaresmal, saindo das comunidades as 19:30 h.

Dia 11 de março – Saindo da Comunidade São Francisco de Assis

Dia 18 de março – Saindo da comunidade Sagrado Coração de Jesus

Dia 25 de março – Saindo da Comunidade Nossa Senhora de Guadalupe

Dia 1 de abril – Saindo da comunidade Jesus de Nazaré

Dia 8 de abril - Saindo da Comunidade Menino Jesus

Dia 15 de abril – Saindo da Comunidade Santa Ana



Confira também no Blog da Paróquia: http://paroquiatibiri02.blogspot.com/

quarta-feira, 9 de março de 2011

Evangelho da Quarta - Feira de Cinzas 2011


Evangelho segundo S. Mateus 6,1-6.16-18.


“Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para vos tornardes notados por eles; de outro modo, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está no Céu. Quando, pois, deres esmola, não permitas que toquem trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: Já receberam a sua recompensa.
Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua direita, a fim de que a tua esmola permaneça em segredo; e teu Pai, que vê o oculto, há-de premiar-te.”
“Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa.
Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há de recompensar-te.
E, quando jejuardes, não mostreis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto para que os outros vejam que eles jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa.
Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que o teu jejum não seja conhecido dos homens, mas apenas do teu Pai que está presente no oculto; e o teu Pai, que vê no oculto, há de recompensar-te.”



Palavra da Salvação!

Quarta - Feira de Cinzas (Homilia) _ Por Pe. Dalmo Radimack

Caríssimos irmãos e irmãs com a celebração Eucarística da Quarta feira de cinzas estamos iniciando o ciclo quaresmal.                                                                     Estes quarenta dias devem ser de uma preparação intensa e serena, fruto de uma consciência livre que se permite questionar e que deseja avançar no conhecimento da verdade que é Cristo Jesus, nosso Senhor. A preparação que realizamos na quaresma encontra sua finalidade no fato de estarmos nos aproximando da Páscoa: celebração do triunfo de Cristo Ressuscitado sobre a morte e o pecado. Com a Páscoa, todos os cristãos recebem a vida nova que vem do Senhor e tem a sua fé revestida da claridade da ressurreição que é transformação do luto ocasionado pelo pecado em vida abraçada por Deus. Esta vida nova nos é ofertada através do batismo que aqueles que iniciarão sua preparação no próximo sábado receberão e para todos os que já são batizados, vem por meio da renovação das promessas do batismo e da participação ativa no mistério do Tríduo Pascal. Este é o momento para retomarmos o fundamento e o início da vida cristã, que é a adesão de fé a Jesus Cristo e seu Evangelho. Somos convidados na quaresma a promovermos um grande juízo sobre nossa vida, nossas escolhas e todas as nossas seguranças. Nenhum cristão de verdade pode passar um dia sequer sem se perguntar o que tem feito com o Dom da Eucaristia que lhe é ofertado por Cristo em nome do Pai para a remissão de nossos pecados. Páscoa é tempo de reafirmar nossa disposição de seguir Jesus pelo caminho e de pertencer à comunidade eclesial, comunidade dos discípulos do Senhor. É para isto que nós nos preparamos a partir de agora! Toda a Igreja entra em clima de preparação e convida cada um de seus filhos e filhas a fazerem o mesmo na vida pessoal, para chegarem à Páscoa prontos e bem dispostos a renovar a vida cristã. Devemos sentir na nossa liturgia que algo está sendo transmitido para nós, por isso, os santos são cobertos ou retirados, as percussões cessam nas celebrações e encontros, sinos não tocam até a Quinta feira Santa, flores e velas não são colocados no altar e a Igreja se veste de roxo. Este é um tempo em que a misericórdia de Deus faz um apelo ao ser humano, aqui se fala de mudança de vida. Ainda hoje escutaremos as palavras que foram ditas pelo próprio Jesus: "convertei-vos e crede no Evangelho!". Estas palavras ecoarão ao longo destes 40 dias que seguem porque o Deus que quer nos amar e salvar, deseja que nós abramos o nosso coração para ele! O Evangelho que hoje foi proclamado para nós mostra o caminho dos "exercícios quaresmais": o jejum, a esmola e a oração. O nosso mundo aprendeu a rejeitar estas palavras, mas para a Igreja de Cristo, elas não são do passado e fazem parte do próprio caminho de transformação de vida à qual o Evangelho de Jesus nos convida. São "remédio contra o pecado", conforme a expressão consagrada pela Liturgia na oração do III° domingo da quaresma.

Pelo jejum, recordados que "não só de pão vive o homem mas de toda palavra que vem da boca de Deus" (Mt 4,4), somos incitados a desapegar o coração de todos os bens que acaso nos impeçam de amar e servir a Deus acima de todas as coisas. Praticado retamente, o jejum faz sentir a precariedade e a fragilidade da vida neste mundo e ajuda a ordenar nossa existência para Deus. O jejum corporal faz parte das práticas de quase todas as religiões, que lhe dão um significado sagrado. Também a Igreja o indica aos cristãos, especialmente no tempo da quaresma.



Por esmola entendemos a caridade, com todas as suas variantes e implicações. De fato, a caridade "apaga a multidão dos pecados" (cf 1Pd 4,8); ela é sinal da autenticidade da nossa fé em Deus e a expressão mais coerente do seguimento de Jesus. "Quem não ama, permanece na morte pois, como é possível dizer que se ama a Deus, que não se vê, se não se ama o próximo, que é filho de Deus?" (cf 1Jo 4,20). No Brasil, a Campanha da Fraternidade, cada ano, dedica especial atenção a um grupo social especialmente necessitado de atenção e solidariedade e ajuda a rever nossa conduta pessoal e comunitária e a exercer-nos na caridade fraterna. Este ano, a Campanha da Fraternidade abre seus olhos para o desafio ecológico pois toda a criação geme em dores de parto e muitas vezes, nossa omissão nos impede de utilizar de compaixão para com a terra, nossa única pátria e nossa única fonte de vida!
O exercício da oração indica todas as formas de relacionamento pessoal com Deus. Pela oração entramos em comunhão com Deus, diante de quem nos reconhecemos criaturas e filhos. A oração humilde e confiante é expressão de verdadeira adoração de Deus, que deixa de ser um princípio abstrato, ou uma força cósmica da qual nos queremos apossar e passa a ser reconhecido como um tu pessoal, a quem ouvimos, com quem falamos, que adoramos e louvamos e a quem recorremos com confiança filial. Jesus rezou e ensinou a rezar. Sem oração, a vida cristã torna-se abstrata e corre o risco de se converter num extenuante esforço pessoal de busca da perfeição ética sem esperança nem alegria. A oração autêntica é reconhecimento que só Deus é Deus e que somos apenas criaturas. A oração decorre do primeiro e mais importante mandamento da lei de Deus.

Quem foi à escola recorda que os "exercícios" são parte importante do aprendizado. A vida cristã é dom e graça, que acolhemos com muita alegria e gratidão; mas também é exercitação diuturna, que requer empenho e perseverança. De fato, ninguém está livre de tentação e pecado, de retrocesso e abandono do caminho de Jesus Cristo. Os exercícios quaresmais, transformados em virtude, nos tornam fortes na fé e eficientes nas obras boas, como convém a filhos e filhas de Deus. O que a oração pede, o jejum alcança e Caridade recebe. Oração, misericórdia (caridade), jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente. O jejum é a alma da oração e a Caridade dá vida ao jejum. Ninguém queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse. Por conseguinte, quem ora também jejue; e quem jejua pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede; pois aquele que não fecha seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas. Quem jejua, pense no sentido do jejum; seja sensível à fome dos outros quem deseja que Deus seja sensível à sua; e em um país de tantas misérias, somos convidados por Cristo a olhar para tudo aquilo que afeta a vida de nossos irmãos e irmãs sob pena de não sermos acolhidos por Cristo se não acolhermos os irmãos (Mt 25, 31-46). Em uma sociedade que pôs o lucro acima de todas as coisas, somos convidados a agirmos com Misericórdia para podermos alcançar misericórdia; quem pede compaixão, também se compadeça porque não pode existir verdadeira religião onde não há espaço para a compaixão com quem sofre, com o planeta inteiro. Quem quer ser ajudado, ajude os outros. Muito mal suplica quem nega aos outros aquilo que pede para si.
Somos para nós mesmos a medida da misericórdia conforme rezamos no Pai Nosso: perdoai-nos nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Deste modo alcançaremos misericórdia. Peçamos, portanto, destas três virtudes – oração, jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única oração sob três formas distintas. Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não saber apreciá-lo; imolemos nossas almas pelo jejum, pois nada melhor podemos oferecer a Deus, como ensina o Salmo: “O sacrifício agradável a Deus é um espírito penitente; Deus não despreza um coração arrependido e humilhado” (Sl 50,19). Oferece a Deus a tua alma, oferece a obra do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma vítima viva que ao mesmo tempo permanece em ti e é oferecida a Deus. Quem não se oferta a Deus não tem desculpa, porque todos podem se oferecer a si mesmos. Mas, para que esta oferta seja aceita por Deus, a misericórdia deve acompanhá-la; o jejum só dá frutos se for regado pela misericórdia, pois a aridez da misericórdia faz secar o jejum. O que a chuva é para a terra, é a misericórdia para o jejum. Por mais que cultive o coração, purifique o corpo, extirpe os maus costumes e semeie as virtudes, o que jejua não colherá frutos se não abrir as torrentes da misericórdia Tu que jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se jejua a tua misericórdia; pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os teus celeiros. Portanto, para que não venhas a perder por ter guardado para ti, distribui aos outros, para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos pobres, porque o que deixares de dar aos outros, também tu não o possuirás.

Que o Cristo de Deus, caminho, verdade e vida, ilumine nosso coração pela sua palavra e nos mostre o que em nós precisa ser mudado para que com ele possamos elevar ao Pai das Misericórdias o mais sublime hino de louvor que brota do fundo dos abismos da humanidade onde Cristo penetrou por sua morte e chega ao mais alto dos céus onde nosso coração se encontra graças à ressurreição de Cristo!